Candidatos à Apostasia

Sinceros, porém equivocados

Eu me lembro das brincadeiras da minha infância. Uma delas era o famoso “esconde-esconde”. Normalmente era escolhida uma criança que, fechando os olhos deveria contar até 10 enquanto os outros buscassem um lugar para se esconder. Uns iam para debaixo da cama, outros atrás da porta, outros dentro de armários ou encima deles. Eu me lembro de um menino que apenas fechava os olhos mas ficava à vista de qualquer um. Ele pensava que, como ele não estava vendo ninguém, que também ninguém o viria. Este é a famosa “síndrome da avestruz”. Quando perseguida, enfia a cabeça no primeiro buraco que encontra e deixa o corpo todo para fora.

Você também já deve ter ouvido esta expressão,  “O que o olho não vê, o coração não sente”. Ou ainda esta, “O pior cego é aquele que não quer ver”. Ditados populares que traduzem verdadeiras realidades.

Me lembro de uma brincadeira dos tempos de colégio. Alguns meninos maldosos pregavam cartazes nas costas de outros, sem que esses percebessem. Esses cartazes tinham frases do tipo: “Me dê um tapa”. Assim, todos os que passavam por aquele menino lhe davam um tapa, deixando-o confuso! Outra frase, “Riam de mim”. Então, os meninos e meninas olhavam para ele e davam risadas, gargalhadas, etc… Era muito constrangedor para ele quando descobria a “chacota”! A partir daí, ele se via na obrigação de se vingar, ou seja, fazer com outros o mesmo que tinham feito com ele.

Recentemente recebi um e-mail de um dos “peregrinos” que se dizia com temor e medo. Temor por saber que algumas verdades estavam sendo reveladas e medo de admitir possíveis mentiras em sua vida pessoal e na prática de sua vida com a igreja. Sei muito bem o que é isso! Quem já não se sentiu? Muitas vezes seguimos fazendo determinadas coisas achando que estamos corretos até que alguém vem e nos desvenda os olhos e nos mostra o ridículo.

Há muita gente sincera que vive “enganada”. Você pode ser uma delas. Já pensou nisso? Já pensou se o que você crê for uma mentira? Já pensou se, depois de tantos anos crendo numa coisa descobrir que esteve enganado? Não seria frustrante para você descobrir que o Evangelho que te pregaram é um engodo? Que você fez o papel de “ridículo” diante de tantas pessoas por defender uma doutrina que no fundo não tinha nada a ver com Deus?

Veja o ridículo de milhares de “fiéis” que ao passar por um cemitério faz o “sinal da cruz”! Para quê? O que é isso? Uma superstição? Sim, uma superstição! Será que muitas práticas evangélicas não são “estórias da carochinha”.

Me lembro de uma irmã muito simples, porém analfabeta. Ela não sabia ler mas tinha uma bíblia. Sempre que ia a um culto ela a levava e no momento em que o pastor pedia para que procurassem um livro, ela abria a sua bíblia e ficava ali, olhando como se estivesse lendo. Muitas vezes a bíblia estava de “cabeça para baixo”.

Certo pastor nos contou que uma vez estava dando carona a uma pessoa muito “espiritual”. Ele sempre gostava de ouvir músicas francesas. Assim, logo que entrou no carro colocou uma música francesa cujo título é “Aline”. A irmã que estava ali ao lado do motorista, começou a falar em “línguas” e se emocionava muito pensando que aquela música fosse um louvor espiritual e que o cantor estivesse cantando “em línguas estranhas”. Santa ignorância!!! O pastor, ao esclarecer que aquela música não era um louvor, mas sim uma canção popular, foi exortado pela irmã que lhe disse: “Ora pastor, eu pensava que num carro de um servo de Deus só teria música de louvor”.

Histórias como estas existem aos montes. Os pastores que o digam! Nos retiros pastorais é que se atualizam as “piadas” e os contos. Hoje é pela internet que recebemos a maioria dessas historias. Umas verdadeiras, outras,  pura invenção. Mas todas revelam um lado crítico da realidade. O pior de tudo é que damos risadas dessas histórias e nem nos damos conta de que podemos estar rindo de nós mesmos.

É triste ver que alguns preciosos irmãos podem estar ouvindo espíritos enganadores e seguindo  doutrinas de demônios 

Últimos Tempos

“Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios; Pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência; Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” (I Tm4.1- 3).

É comum se ouvir que certas “seitas” são heréticas. Dizem dos “Testemunhas de Jeová”, dos “Mórmons”, do “Espiritismo Kardecista”, do “Catolicismo”, do “Candomblé”, etc… e sem dúvida alguma não é difícil  detectar as mentiras aberrantes que permeiam essas seitas. Elas, entretanto, não são tão perigosas quanto a “mescla” que há por dentro de nossas “igrejas”. Há quem diga que as piores heresias são aquelas que contêm muita verdade.

Uma das estratégias de guerra é atrair a atenção dos inimigos para alvos falsos. Assim, enquanto se concentra o maior poder de fogo nesses “falsos alvos”,  inimigo se infiltra pelas brechas e planta minas destruidoras dentro de nossas fortalezas.

Não tenham dúvida de que a “igreja” está toda minada! Minada com mentiras teológicas. Mentiras que se parecem com a verdade. Mentiras cheias de verdade. Mentiras espirituais recheadas de verdades humanistas.

Sinais da apostasia

Há muitos homens hipócritas que falam o que não vivem. Essa é a pior e mais destruidora fonte de mentiras.  Homens que dizem: “Venham para meu culto… mas não freqüentem a minha casa”. Por que? Porque é lá, no íntimo de sua casa e de sua família, é onde encontramos a verdadeira “mensagem”. Não é de se admirar que muitos filhos de pastores seja incrédulos.

Mas também a muitos homens sinceros que, todavia falam mentiras. Muitos deles nem se dão conta do que falam. Apenas receberam um manual de instrução, códigos de ética pastoral, sistemas de administração, técnicas para falar em público, política de marketing e marketing de guerra. Sincero na verdade, equivocados todavia!

Muitos estão como que anestesiados. Alguns se corromperam tanto que lhes é impossível retornar. Não encontram mais lugar de arrependimento. Outros estão frustrados não têm forças para romper com os compromissos. Compromissos assumidos com as suas antigas pregações, seus próprios conceitos, seus conselhos e suas orientações.

Um dos sinais mais fortes da aproximação da apostasia é a ridicularização do casamento. Nunca o casamento foi encarado como algo sem valor. É ridículo, mas é verdade! O humanismo entrou de cabeça no seio das igrejas. O divórcio e o “re-casamento” são sinônimos de modernidade. As palavras de Jesus e os conselhos dos apóstolos são descartados ou usados de forma “adulterada” para justificar a carnalidade, o orgulho, a ganância e a rebeldia dos casamentos. Que esperança há para a igreja com lares rompidos, casamentos destruídos, filhos bastardos, mães solteiras, filhos abandonados e adultérios oficializados.

A proibição do casamento não é necessariamente um impedimento, mas sim uma inviabilidade. Torná-lo desnecessário, superficial, descartável e laboratório de experiências sexuais é o que se tem dado força a essa apostasia que está ao alcance de qualquer um.

É mais presente nos lares evangélicos a “massificação” das novelas que incentivam o aborto, a fornicação, o adultério, o homossexualismo, o divórcio e o abandono do que a pureza, a santidade, o amor, a amizade e a justiça.

Me lembro que certo irmão incentivado por outros a modernizar a sua casa, contratou um serviço de “satélite” para a sintonia de canais de TV. No dia que os técnicos instalaram todo aparato eletrônico, um deles disse a esse irmão: – “pronto… agora o senhor tem o MUNDO DENTRO DA TUA CASA”. Naquele instante ele caiu em si e viu a tremenda besteira que estava fazendo. E, sem que o técnico entendesse nada, ele pediu que retirasse o equipamento na mesma hora. Santa coragem!!!

Ambiente da apostasia

“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te”. (II Tm 3. 1-5).

Olhando o texto acima, me arrepio todo em pensar que nos falta a coragem necessária para obedecer as ultimas duas palavras: “Destes afasta-te”.

Nesse caso, surge uma pergunta: Me afastar de quem? Das pessoas do mundo? Penso que o próprio apóstolo Paulo pode responder a essa pergunta.

I Co 5.9-11

“Já por carta vos tenho escrito, que não vos associeis com os que se prostituem; Isto não quer dizer absolutamente com os devassos deste mundo, ou com os avarentos, ou com os roubadores, ou com os idólatras; porque então vos seria necessário sair do mundo. Mas agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” – 1 Co 5:9-11.

Terrível, não? Você deve estar se perguntando o que fazer. Talvez te venha a mente o nome de uma monte de pessoas com características mencionadas acima. Mas você acha que aapostasia vai ocorrer aonde? No mundo? É ilógico pensar que os incrédulos vão se apostatar. A apostasia vai ocorrer, e isso é inevitável, dentro nas nossas “igrejas”. De cima dos púlpitos será ela pregada, difundida e divulgada. Obviamente não de forma aberta e declarada, mas sim na “sofismática” maneira de se viver. A mescla da luz com as trevas produz a penumbra, a obscuridade, as sombras.

As palavras de Jesus continuam falando forte ainda hoje: “Os teus inimigos serão os da tua própria casa”. Difícil de se admitir, mas quem quer ter amigos certos tem que estar disposto a ter inimigos certos.

As divisões e facções ocorrem entre aqueles que um dia foram unidos, parceiros, amigos, e irmãos. É daí que surgirá a apostasia. Ela está ao alcance de qualquer um. Digo  ao alcance porque é uma opção de vida e é também um estilo de vida!

Fala-se muito sobre a volta de Jesus. Há quem diga “Maranata” porque sabe que isso é a esperança dos verdadeiros filhos de Deus. Há outros, todavia, que não fazem a mínima idéia do que estão dizendo. Não sabem que “isso não acontecerá sem que primeiro venha aapostasia e seja revelado o homem do pecado, o filho da perdição”. (II Ts 2.3). Também não fazem idéia de que podem estar inseridos entre os que ouvirão do Senhor a terrível frase ; “Nunca vos conheci, apartai-vos de mim, vós os que praticais a iniqüidade”. (Mt 7.23.

O que fazer?

A cada dia que passa aumenta o número dos “insatisfeitos”. São irmãos e irmãs que já não conseguem suportar a hipocrisia, o faz-de-conta, a insensibilidade, o humanismo, a insegurança, a competição, o exibicionismo, a futilidade e as promessa vazias de suas crenças.

Há uma quantidade enorme de irmãos e irmãs que estão descobrindo que não precisam mais ficar debaixo do julgo de “tradições caducas e de estórias de velhas”. Que não precisam ser apenas contadas como um número na secretaria da igreja. Que não pecam se questionarem, perguntarem e quererem respostas sinceras para as suas perguntas honestas.

Em todo o mundo se levanta a “Igreja do Senhor”. Formada por homens e mulheres que negam-se  a si mesmos, tomam cada dia a sua própria cruz e seguem a Jesus. São pessoas comprometidas com pessoas e não com estatutos, dogmas ou denominações. São pessoas que estão aprendendo a viver em família, a restaurar os valores do abraço, do beijo, do sorriso, da transparência, do perdão e do amor.

Pastores e líderes estão rompendo com suas velhas tradições, deixando de serem apenas homens do gabinete e do púlpito e tornando em verdadeiros pastores de ovelhas. Aqueles que dão a vida pelas ovelhas. Aqueles que choram por elas, que as buscam, as consolam e as carregam nos ombros. Estão trocando a vestimenta que ostenta uma posição de glória, pela “toalha do escravo” que lava os pés dos discípulos.

Muitos pastores estão redescobrindo que são ovelhas ainda. As ovelhas se identificam mais com eles agora do que antes. As ovelhas buscam o seu consolo porque sabem que eles também precisam ser consolados.

O que fazer? Ser honesto consigo mesmo, humilde o suficiente para perguntar aos que estão por perto:Sou eu alguém que pode ser imitado na “PALAVRA, NO PROCEDIMENTO, NA FÉ, NO AMOR E NA PUREZA”?

Paulo recomendou a Timóteo que fosse o padrão  para os fiéis, não para os infiéis! Se não posso ser o padrão, então sou um forte candidato a apostasia. 

Na palavra – Se refere à forma e ao conteúdo do que sai de nossos lábios. Prudência, docilidade, amabilidade, carinho, palavras sábias, puras,etc… Nossas palavras revelam o que está no coração. O que eu falo, traz graça aos que ouvem? As pessoas são edificadas quando eu falo? Outros param pra me ouvir com respeito? Sou procurado pra aconselhar porque meus conselhos são sábios? Se não, sou um forte candidato a apostasia.

No procedimento – Se refere à maneira como me comporto. Como faço o que faço em qualquer circunstância. Como conduzo minha vida em todos os aspectos. Posso ser imitado? Meu procedimento é como uma seta apontando o caminho que as pessoas devem seguir? Sou um referencial de Cristo? Se não, sou um forte candidato a apostasia.

Na fé  – Se refere à nossa dependência de Deus. Nossa confiança no Senhor. A maneira como vivo para Deus e o sirvo é motivo para que outros louvem a Deus? Inspiro outros a serem assim? Sou uma pessoa animada, cheia de esperança, ardor e entusiasmo? Se não, sou um forte candidato a apostasia.

No amor – Se refere ao serviço a Deus e aos irmãos. Fujo de ser reconhecido? Me esforço para honrar a outros? Tenho alegria no sucesso de outros? Prefiro os últimos lugares? Falo bem dos irmãos? Evito a maledicência? Defendo meus irmãos e os apóio? Me nego a mim mesmo para servir a meus irmãos? É visível a outros o amor que tenho por eles? Se não, sou um forte candidato a apostasia.

Na pureza – Se refere a minha vida piedosa. À minha separação deste mundo. Minha motivação em amar a Deus e serve fiel. Manter-me longe das paixões mundanas e dos apetites da carne. Sei como me comportar com o sexo oposto? Me visto com decência e evito ser motivo de escândalo? Evito atrair para meu corpo e para minha imagem a atenção das pessoas? Sou simples no vestir e no andar? Evito as atrações da TV, da música e da internet? Reconheço minhas fraquezas e as mantenho debaixo da graça de Deus. Se não, sou um forte candidato a apostasia.

 

“Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?”

(Lc 18. 8-14).

 

 

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