JESUS E A LEI DE MOISÉS

É fantástica a maneira como Jesus trata a questão da Lei de Moisés. Aliás, é fantástica a forma como Jesus aborda qualquer questão relativa à lei e aos profetas. Jesus não desfaz nada do que eles disseram nem desconsidera a importância dos mesmos no contexto do povo de Israel ou da humanidade como um todo. Porém, nós que somos chamados de “cristãos” devemos centralizar nossa atenção apenas em Jesus. Isto não significa que desprezemos os ensinos do velho testamento. Eles servem como pano de fundo no cenário histórico onde todos os detalhes apontam para Jesus.

É simples para os de mente simples poder entender o contexto em que Jesus ensinou a respeito de muitos assuntos ao mesmo tempo.

O famoso “sermão do monte”, título que os estudiosos deram a uma conversa de Jesus com Seus discípulos diante de uma multidão. É impressionante como os teólogos gostam de dar títulos e emoldurar conceitos em tornos de assuntos domésticos.

O texto de Mateus capítulo 5 começa dizendo que Jesus viu as multidões e subiu a um monte e assentou-se. Aproximaram-se dele os Seus discípulos, e Ele começou a ensiná-los.

Ele ensinava quem? A multidão ou os discípulos? É óbvio que, ao ler todo texto vemos que não se trata de um sermão evangelístico ou genérico dirigido à multidão. Eram instruções simples para um pequeno grupo de homens comprometidos com Ele.

Aqueles homens haviam recebido uma instrução religiosa e familiar baseada na Lei de Moisés. Como judeus que eram, tinham sido instruídos nas sinagogas e nas escolas rabínicas. Tinham decorado o Pentateuco e seguiam cumprindo à risca as doutrinas familiares. Agora, porém, eles estavam diante de quem a própria Lei e os Profetas deveriam sujeitar-se. A Lei e os Profetas tiveram o seu papel e função que era conduzir os homens até Jesus. Nunca nos esqueçamos desse importante e fundamental detalhe. A Lei e os Profetas eram sombras do que havia de vir.
“Disseram aos antigos…”

Ao ler cuidadosamente o texto de Mateus, vamos encontrar uma série de declarações do tipo: “Disseram aos antigos…” e aí Ele cita partes da Lei de Moisés. Era uma forma de dizer que eles haviam sido ensinados pelos pais, mestres e sacerdotes. Todos os ensinamentos estavam baseados na Lei de Moisés. Agora, ali estava aquele que disse juntamente com o Pai, “façamos o homem à nossa imagem conforme a nossa semelhança”. Ali estava aquele que era antes da Lei.
“Eu, porém vos digo…”

Então Ele afirmava: “Eu, porém vos digo…”. Esse “porém” vai além do que os mestres haviam ensinado. A questão não estava no que a Lei dizia, mas na aplicação da Lei. A lei, por si só é isenta de sentimentos e vontade. É apenas um instrumento que guiava a humanidade para um propósito maior, Jesus!

Jesus sempre questionou os “mestres”. Sobretudo aqueles que usavam da Lei para fazerem valer seus próprios interesses. Chamou-os de hipócritas e mentirosos. Chamou-os de cisternas rotas e poços sem água. Considerou seus ensinos, ainda que baseados na lei de Moisés, como fermento velho. E foi muito enfático ao dizer: “Não façam o que eles fazem…”.

Ele, todavia, estava ali contestando com sua vida e obra toda frieza dos ensinos judaicos e estabelecendo a base do discipulado: “Eu, porém vos digo…”.

Todas as vezes que Ele usou essa expressão, ““Eu, porém vos digo…”, foi muito mais radical, severo e prático.

Radical porque não dá margem para interpretações. Eram palavras que exigiam uma tomada de posição. Era uma confrontação radical do Reino de Deus com a independência do homem.

Severo porque não deixava brecha para a hipocrisia ou para a permissividade. Quem o ouvia sabia que teria que optar em ser como Ele era e fazer o que Ele fazia, ou virar as costas e ir embora.

Prático porque apontava o caminho a seguir. A aplicação dos Seus ensinos era o que tornaria os homens sábios. Ele sabia que um ensino só se tornaria eficaz se fosse colocado em prática.

Na questão relativa ao divórcio, não foi diferente. Ele disse: “Disseram aos antigos, aquele que repudiar sua mulher, dê-lhe carta de divórcio”. “Eu, porém, vos digo que qualquer que repudiar sua mulher, a não ser por causa de pornéia, faz que ela cometa adultério, e aquele que casar com a repudiada, comete adultério”.

Pornéia é uma palavra grega que abrange qualquer relação sexual ilícita – fornicação, homossexualismo, lesbianismo, bestialidade, etc., porém, ao citar a Lei, Jesus não está se referindo a relações sexuais no casamento, mas sim no ato do casamento, ou seja, ao casar-se, o homem poderia repudiar sua mulher, caso descobrisse que ela não fosse virgem. Trataremos deste assunto em outra ocasião.

Jesus não está explicando a Lei ou tratando do assunto de divórcio. Ele está pondo a base do Seu Governo: “Eu, porém vos digo…”. Em outras ocasiões essa questão ficará mais clara porque os fariseus vão questioná-lo com respeito à Lei e às divergências religiosas da época. Mas fica claro aqui que toda centralidade do ensino era na Sua própria pessoa. Ele não era um mestre da Lei. Ele era a própria Lei. Ele não ensinava como os escribas e fariseus, Ele era ao mesmo tempo o professor e a matéria. Era o sábio e a sabedoria. O fator mais importante do Seu ensino era: “EU, PORÉM VOS DIGO”.

Próximo Capítulo: Jesus e os fariseus

One response

27 04 2015
Rute

Excelente texto! Estava meditando hoje sobre o tema na bíblia e resolvi procurar algum comentário relacionado na internet.. Quando achei seu blog! Me senti tocada e emocionada.. a forma como você se refere a Jesus é inspiradora! Continue firme em seu chamado, e que adeus continue te usando para muitos outros!
Fica na paz!

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