JESUS E O PERDÃO

Disse Jesus aos fariseus: “Por causa da dureza de vossos corações foi que Moisés permitiu dar carta de divórcio e repudiar” Mt 19.8.

A beleza do Evangelho do Reino trazido por Jesus é para os discípulos o retorno ao padrão do Reino de Deus, como é uma declaração de condenação para aqueles que não desejam submeter-se a esse padrão. Não podemos avançar em querer resolver o problema de casamento, divórcio e recasamento fora do contexto do Reino de Deus.

Todos sabemos que o pecado, a independência do homem, fez dele um escravo de suas paixões. O homem, por natureza, está condenado. A humanidade se estragou com o pecado de Adão. O homem, sem Deus, está entregue a seus próprios sentimentos. Portanto, tratar desse assunto sem considerar o quadro real do homem sem Deus, é como tratar de uma pequena ferida num corpo canceroso destinado à morte.

Uma dos maiores indícios da degradação do homem é a falta de perdão. O homem é “duro de coração” por natureza. Ele não consegue perdoar. Não é inerente nele o perdão. É impossível para o homem natural perdoar. Não faz parte de sua natureza o perdão.
A condição da mulher relativamente ao homem

Ao tratarmos desse assunto específico, o alvo da dureza de coração a que Jesus se referia era a mulher. A mulher, era considerada como objeto e propriedade do homem. É algo tão brutal que, a condição da mulher relativa ao homem era como qualquer outra propriedade que ele tivesse. A mulher era sempre a prejudicada. Principalmente entre os judeus. A mulher nada mais era do que uma possessão. A mulher do próximo podia ser cobiçada, tanto quanto seu boi, seu jumento, ou qualquer outra coisa que possuía (Ex 20.17; Dt 5.21). O pai ou o marido podia anular os votos da mulher. Embora o marido tivesse o direito do divórcio, não era permitido o mesmo à mulher.

O homem tinha o direito de casar com uma mulher virgem mas não havia essa mesma obrigação para o homem. Um homem podia ter várias mulheres virgens e todas seriam suas propriedades. Uma mulher, todavia, não podia ter vários homens.

A lei do divórcio foi promulgada para se fazer justiça a favor da mulher e não dar ao homem um instrumento de justiça contra a mulher.

A arbitrariedade contra a mulher era tão grande que não havia como ela se proteger de uma acusação vinda por parte do homem. Com a lei, o homem ficou limitado em suas ações. Antes da lei do divórcio, havia a lei do casamento. A lei do casamento impunha ao homem ficar com a mulher até que a morte ou separasse. Paulo escreveu aos romanos: “A mulher casada está ligada pela lei ao marido, enquanto ele vive; mas, se o mesmo morrer, desobrigada ficará da lei conjugal. De sorte que será considerada adúltera se, vivendo o marido, unir-se com outro homem; porém, se morrer o marido, estará livre da lei e não será adúltera se contrair novas núpcias” Rm 7.2-3.

Portanto, o divórcio não era um instrumento a mais para a justiça a favor do homem, mas sim um limitador às ações dos homens inescrupulosos, duros e inflexíveis. O apóstolo Paulo escreveu aos coríntios usando o mesmo princípio, mantendo a premissa da indissolubilidade do casamento. Ele disse: “Se o incrédulo quiser se separar, que se separe, nesse caso o irmão ou a irmã não estará sujeito à servidão; Deus vos tem chamado à paz” I Co 7.15 Vamos analisar esse assunto mais tarde.

A lei do casamento e a lei do divórcio assim como todas as leis de Moisés, foram dadas para toda a humanidade “pós-queda” do homem no jardim do Éden. Mas, antes da queda, no princípio, como dizia Jesus, não foi assim. A vinda de Jesus trazendo o governo de Deus resgatou o princípio e estabeleceu uma nova ordem para os discípulos. Ele, quando diz “Eu, porém vos digo…”, resgata o ideal de Deus e impõe a característica do reino de Deus para a vida dos homens regenerados.

Ele resgata o valor da mulher, do casamento, da família e estabelece o meio pelo qual é possível superar todas as arbitrariedades da lei, o perdão!

O Perdão X Divórcio

Ele disse: “Se não perdoardes os homens as suas ofensas, tão pouco vosso Pai celestial perdoará as vossas ofensas” – Mt 6.15. Estava ali estabelecido o meio para que o homem recebesse o seu perdão.

O divórcio era uma alternativa para proteção da mulher que não fosse perdoada pelo marido. Se o homem ao casar com a mulher não a encontrasse virgem, ele teria dois caminhos: Repudiar e dar carta de divórcio deixando-a livre para casar com outro homem, ou perdoá-la e ficar com ela para sempre.

O divórcio foi permitido porque os homens eram “duros de coração”. Incapazes de perdoar! O machismo e o egoísmo não lhes permitiam ficar com uma mulher que tivesse sido de outro homem.

O perdão é superior ao divórcio. O perdão abre mão do divórcio e conduz o casamento em amor e paz. O homem e a mulher que perdoa, é maior que o que divorcia. Um homem ou uma mulher que divorcia, mostrar que é incapaz de perdoar.

Lembrando que, a despeito dos motivos de como se divorcia hoje em dia, para Deus, um novo casamento só é possível se o divórcio ocorreu pelas circunstancias expostas anteriormente. E, mesmo assim, porque o homem foi duro de coração e incapaz de perdoar. Obviamente, quando uso o termo “homem”, estou generalizando, pois tanto o homem quanto a mulher quando não perdoa, está revelando dureza de coração!
A condição do homem relativamente à mulher

Contrariamente ao disposto acima, os discípulos ao ouvirem o que Jesus dissera concluíram dizendo: “Se esta é a condição do homem relativamente à sua mulher, não convém casar” – Mt 19.10.

Aqui temos um indicativo do entendimento dos discípulos relativo ao tema. Eles entenderam bem que, se o homem casasse e descobrisse que a mulher já não era virgem eles teriam uma única opção: Perdoar! E, uma vez perdoada a mulher, o discípulos nunca mais poderia separar-se dela e casar com outra.

Poderia, se quisesse, usar do recurso da lei e repudiar a mulher. Mas isso seria um atestado de dureza de coração, o que é inadmissível a um seguidor de Jesus. Portanto, a conclusão deles foi que não deveriam casar. Mas isso também significaria uma atitude de “dureza de coração e egoísmo” o que, de certa forma foi desaconselhado por Jesus. Ele disse: “Nem todos podem receber essa palavra…”

Próximo Capítulo: Jesus e os Eunucos

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