JESUS E PAULO

O apóstolo Paulo, mais do que qualquer outro, tornou evidente o padrão do Reino de Deus para o homem e a mulher. Quer fosse com respeito à vida pessoal, quer fosse para o casamento. Paulo tornou-se um dos maiores defensores do Reino de Deus. Assim como Jesus é o perfeito modelo do caráter de filho de Deus, Paulo tornou-se um modelo incomparável de caráter de discípulo de Jesus. Ele, a si mesmo trouxe essa responsabilidade quando disse: “Sede meus imitadores, como eu sou de Cristo” – I Co 11.1.

Se a personalidade forte e original de Paulo é reconhecida como a de um dos mais importantes homens de toda história cristã, maior foi o poder do evangelho que o transformou. Toda sua opulência, sabedoria e conhecimento, aliados ao seu temperamento forte e seu zelo para com a Lei de Deus, não resistiram ao poder daquele que tem todas as coisas debaixo de Seu domínio: Jesus! Desde o seu contato com Jesus na estrada de Damasco ele tem sido o reflexo de Cristo no mundo.

Embora seja o suficiente ouvir de Jesus, “Eu, porém vos digo…”, essa força de expressão foi manifestada de forma bombástica através da vida e do ministério daquele homem de Tarso. Essa influência de autoridade e poder não anulam a capacidade de pensador e análise de alguém, como Paulo. Muito pelo contrário, Deus usa um dom natural e também o produto de uma educação séria.

Paulo, era um estudioso que aprendeu nas escolas rabínicas a coordenar, expor e defender as suas idéias. Basta uma análise de suas cartas para ver o raciocínio e a destreza em formar conceitos. Sem diminuir a eficácia do poder do Espírito Santo que revelou a ele toda essa sabedoria. As suas epístolas exercem influência sobre a igreja cristã até hoje. Ninguém, como ele, conseguiu explicar o cristianismo com a clareza e simplicidade dignas de um profeta. Além do que, sua maneira prática de fazer as coisas e o seu senso de urgência, fez dele um missionário entre os gentios que aliava a capacidade de um grande pensador com a de um consumado trabalhador.

É muito agradável para eu escrever sobre o tema Divórcio e Recasamento tendo como aliado um homem reconhecido como um dos dez mais inteligentes homens da história. Agrada-me, sobretudo por sua humildade e simplicidade. Humildade para reconhecer a autoridade de Jesus sobre sua vida e ministério. Simplicidade porque não usava de meias-palavras nem de subterfúgios para conseguir a aprovação de ninguém. Era um homem de convicções profundas.

Ao tratar de Divórcio e Recasamento, ele ratifica todo conselho de Deus nessa questão. Sua carta aos coríntios, especificamente no capitulo 7, é uma cartilha simples que substitui todos os compêndios e enciclopédias destinadas ao tema. Ele estabelece uma regra simples de como resolver os problemas de relacionamento, dando conselhos harmonicamente contextualizados com a visão do Propósito Eterno de Deus.
“Mando, não eu mas o Senhor”

“Todavia, aos casados mando, não eu mas o Senhor, que a mulher não se separe do marido. Se, porém, se separar, que fique sem casar, ou que se reconcilie com o marido; e que o marido não deixe a mulher” – 1 Co 7.10-11.

Não há nada a ser interpretado aqui. É claro, simples e muito enfático. Não se trata de divórcio, nem de recasamento. Aqui também podemos ouvir o Senhor Jesus dizendo através de Paulo: “Eu, porém vos digo”. E Ele o diz aos casados. Não aos solteiros, nem aos “recasados”. A todos aqueles a quem Ele considera casados, de acordo com o que Ele considera casamento: “Portanto”, disse Jesus, “deixará o homem a seu pai e a sua mãe e se unirá à sua mulher e, serão os dois uma só carne, e o que Deus ajuntou, não o separe o homem” Mt 19.5-6.

Aqui não temos um conselho, nem uma opinião, mas sim um mandamento. Um mandamento como qualquer outro que Jesus dera a Seus discípulos. Um mandamento que direciona a obediência daquele que tem a Jesus como Senhor absoluto de sua vida. Um mandamento que serve de direção para quem quer fazer a vontade de Deus.

Não é uma obrigação, mas sim uma proteção para o casamento para todos os discípulos de Jesus, que casaram de acordo com a vontade de Deus e para cumprir seu Santo Propósito. Jovens que se prepararam e se mantiveram puros e santos enquanto aguardavam o grande e maravilhoso dia do casamento. Para esses, o mandamento não necessitaria do complemento “SE PORÉM SE SEPARAR”. Esse complemento não é para um discípulo, mas sim para um incrédulo, o que veremos mais adiante.

Aqui fica muito claro que a mulher não deve se separar do Marido e que o marido não deve deixar a esposa. As razões expostas por Paulo no verso 5 e 6, nos dão uma idéia dos muitos perigos que rondam a estabilidade do casamento.

“Não vos priveis um ao outro, senão por consentimento mútuo por algum tempo, para vos aplicardes ao jejum e à oração; e depois vos ajuntai outra vez, para que Satanás não vos tente pela vossa incontinência. Digo, porém, isto como que por permissão e não por mandamento” – I Co 7.5-6.

Por quê se exporem ao pecado? Por quê darem brechas ao diabo? A segurança do casamento está em manterem-se casados. É preciso fazer tudo o que for necessário para que o casamento esteja protegido contra as influências do mundo, da carne e do diabo. Todos conhecemos como o casamento é vulnerável às influências deste mundo.

A maior proteção que uma mulher pode ter, é a presença do marido e, a maior segurança que um homem pode ter, é estar com sua mulher.
“Se, porém vier a separar-se…”

Seria maravilhoso se todos os casados, tanto os maridos como as esposas, fossem discípulos de Jesus. Nesse caso não precisaríamos do complemento, “se, porém vier a separar-se”. Entretanto, essa não é a realidade. Há milhares de casais cujos maridos são incrédulos. Também há um número muito grande, embora menor, de maridos com esposas incrédulas. Nesse caso, temos uma situação circunstancial em que, sem diminuir o padrão “criacional” de Deus para o casamento, o Senhor determina o que fazer caso ocorra uma separação. Vejam que não se diz divórcio!

Esses textos não podem ser desassociados dos versos 12 a 16. Ali Paulo estabeleceu a pastoral em casos de separação por parte do incrédulo. A separação, abandono, repúdio, nunca deve ser de iniciativa do discípulo. Se o cônjuge incrédulo quiser separar-se, que o faça, porém por sua escolha e decisão. Nunca deve partir do cônjuge discípulo. Isso está explicitado no mandamento de Jesus nos versos 5 e 6. Ali está estabelecido o princípio. As únicas condições estabelecidas pelo Senhor para Seus discípulos que, infelizmente tenham se casado com incrédulos, antes ou depois de se converterem, e foram abandonados por seus cônjuges são:
1. “Fiquem sem casar…”.

Essa é a condição principal. Não é permitido pelo Senhor o recasamento. Um “segundo” ou “terceiro” casamento teria que ter uma constante prática de adultério (relação sexual ilícita entre pessoas casadas). E também disse o Senhor: “os adúlteros não herdarão o Reino dos Céus”. Portanto, a ordem do Senhor é: “Fiquem sem casar”.

Para os discípulos de Jesus, tanto o homem como a mulher que se encontram nessa condição, a saída é serem “eunucos por causa do reino de Deus”. Eles ficam impedidos de manterem relação sexual com outra pessoa que não seja seu cônjuge. Mas isso não é um voto de castidade, pois o Senhor coloca uma abertura de reconciliação.
2. “…ou que se reconciliem com o marido”.

Infelizmente o pecado, a carne, o mundo e o diabo são aliados contra o casamento e, uma vez tendo-o atingido com seus tentáculos, deixa seqüelas que nem sempre podem ser corrigidas. O pecado do adultério, do repúdio, do egoísmo, da mentira e da avareza encontra espaço num mundo que está posto sob o maligno. É nesse mundo onde se estabeleceu um sistema diabólico contra o casamento. Milhões de casais estão destruídos e impossibilitados de reverem o passado por erros e pecados irreparáveis.

Mas há os que, contrariando a filosofia barata da felicidade humana e da teologia do cristianismo sem cristo e do humanismo egoísta, buscam a reconciliação do casamento, da família e da igreja. Aleluia por esses!

A seguir, vamos analisar com cuidado os conselhos de Paulo aos casados com cônjuges incrédulos. Vamos também procurar quebrar os sofismas evangélicos que se infiltraram nas nossas igrejas e corrompem a sã e maravilhosa doutrina de Jesus, que permitem o repúdio, o abandono, a violência e respaldam o adultério dos casados e a fornicação entre os jovens. Que o Senhor tenha misericórdia de nós!

Próximo Capítulo: Paulo e Jesus

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