JESUS E SUAS RESPOSTAS

Alguns me perguntam porque estou seguindo esta linha de argumentação e eu respondo que o melhor seria começar analisando os textos mais claros, que não necessitam de interpretação, que definem com poucas palavras o final disso tudo. Todavia, resolvi fazer o caminho oposto porque, salvo os que buscam com sinceridade conhecer a verdade, a maioria tem na mente muitos sofismas, inverdades e argumentações tendenciosas. Portanto, resolvi usar o método do leão quando sai à caça: Os leões nunca vão a favor do vento. Para um bom entendedor…

O capitulo nevrálgico de Mateus 19.1 tem sido a grande plataforma dos defensores do divórcio e do recasamento. Vejamos cuidadosamente esse texto observando os mínimos detalhes:

Esse texto não pode ser analisado isoladamente. Ele precisa do contexto de Marcos 10.1-12. Jesus nesse episódio está com seus discípulos na Judéia. Como sempre ocorria, uma grande multidão O seguia. Uns para ouvir seus ensinos, outros por causa dos milagres, outros por que haviam sido chamados e eram seus amigos, mas havia também aqueles que tentavam pegá-lo nalguma falha. Entre esses estavam os fariseus.

Vemos a intenção dos fariseus no versículo três: “Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o”. Eles sempre buscavam uma forma para pegar Jesus nalguma falha. E, nessa ocasião não foi diferente.

É preciso entender a atitude daqueles homens para não sermos engodados nem cair nas suas armadilhas. A intenção maléfica pode usar de argumentos verdadeiros para induzir alguém a cometer um erro. Qualquer motivo é motiva para quem quer ter motivo. E, os fariseus queriam um motivo para atacar a Jesus.

O objetivo deles não era a verdade a respeito de Divórcio e recasamento, nem mesmo resolver casos pendentes. A verdadeira intenção dos fariseus era atacar a Jesus.

Embora houvesse uma discordância entre eles a respeito desse assunto, porque havia duas correntes de pensamento e prática entre eles, a verdadeira intenção não era resolver a questão dessa divergência. A intenção era colocar Jesus numa posição inconfortável diante da lei, dos discípulos e da multidão. Eles precisavam de algo para acusar a Jesus. Assim, seguindo uma estratégia astuta, eles fazem duas perguntas a Jesus.
1) Primeira pergunta: “É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?”.

Aparentemente é uma pergunta simples e objetiva. Mas ela vem carregada de malícia e um sofisma perigoso.

Como já disse, havia duas correntes de pensamento. Havia duas escolas que divergiam quanto ao assunto relativo à mulher e ao divórcio. Os mais liberais, que eram seguidores das idéias do rabino Hillel, sustentavam que o homem podia repudiar a sua mulher por qualquer motivo. Os mais conservadores e ortodoxos, esses seguidores do rabino Sammai, afirmavam que o homem só poderia deixar a mulher se encontrasse “alguma coisa indecente” nela.

A pergunta dos fariseus, embora tenha a intenção de colocar Jesus entre as duas opiniões, o que levaria Jesus a se por do lado de uma ou de outra, também dá a chave para uma resposta radical de Jesus. Para Jesus, a primeira parta da pergunta é a mais importante e deve ser respondida: “É lícito ao homem repudiar a sua mulher?”.

Não é estranho que eu faça essa distinção porque, ao lermos outros evangelhos vamos observar exatamente esse detalhe. Vejamos!

Marcos 10:2 E, aproximando-se dele os fariseus, perguntaram-lhe, tentando-o: “É lícito ao homem repudiar sua mulher?”.

Como podemos ver, a pergunta a ser respondida é a que está isenta de sofisma e malícia. E foi essa a pergunta que Jesus respondeu.
2) Resposta de Jesus à primeira pergunta

A resposta de Jesus poderia ser dita de uma forma direta e isso bastaria. Poderia dizer simplesmente, Não! Não é lícito o homem repudiar a sua mulher! E, assim estaria encerrada a discussão.

Todavia, Jesus dá uma resposta mais ampla voltando ao princípio de tudo. Ele busca nas Escrituras a base para o casamento e o conceito da indissolubilidade do mesmo. Ele diz: “Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne? Assim não são mais dois, mas uma só carne” – Mt 19.4-6ª e Mc 10.6-8.

Aqui temos três importantes detalhes a serem considerados:

“a) Deixará o homem pai e mãe” Não é preciso ser um grande exegeta para admitir que somente uma pessoa “solteira” estaria ainda debaixo da guarda e da autoridade de um pai e mãe. Assim, estabelecesse que para que haja um casamento, os envolvidos devem deixar esse estado civil, solteiros, e sair da casa dos pais. Esse é um detalhe que vai contra o que normalmente acontece nos casos de divórcio que é: “deixará a mulher ou o homem com quem está casado”.

b) “Se unirá a sua mulher” Aqui temos um detalhe simples a considerar. A mulher não pode ser de nenhum outro homem. Não se pode casar com uma mulher casada, que tenha sido de outro homem. Isso vai contra o que normalmente ocorre nos casos de divórcio e recasamento que é: “se unirá à mulher que foi de outro homem”.

c) “E serão dois numa só carne” Aqui está a liberação para a relação sexual como um selo para o casamento. Não existe casamento sem que haja essa união sexual. Entretanto, é preciso considerar que qualquer relação sexual torna os dois envolvidos sexualmente em “uma só carne”. Mas, o fato de se unirem sexualmente não significa que já estejam casados. A união sexual define a situação moral das pessoas envolvidas no conjunto de outros fatores. Por exemplo, Paulo diz que “aquele que se une a uma prostituta se torna uma só carne com ela” – 1 Co 6.15-16. Nem por isso está casado com ela.

Em síntese, o casamento ocorre entre duas pessoas solteiras, que deixaram a casa de seus pais, se uniram num pacto mútuo selado com a relação sexual. Obviamente essa seqüência de fatos deve estar respaldada pelos pais e pela sociedade.

Bem, esse detalhe preliminar da resposta de Jesus à primeira pergunta dos fariseus ainda não responde completamente o questionamento: “É lícito ao homem repudiar a sua mulher?”. Os três aspectos expostos acima mostram o que é e como se processa um casamento. A resposta de Jesus vem de uma declaração única nas escrituras, descrita tanto por Mateus como por Marcos.

É a declaração que responde a primeira pergunta dos fariseus, ele disse: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem” Mt 19.6b e Mc 10.9. Essa declaração de Jesus faz parte do “EU, PORÉM VOS DIGO”.

Quando um homem solteiro e uma mulher solteira deixa pai e mãe, se unem num pacto mútuo e selam esse pacto numa relação sexual, Deus, que os fez “macho e fêmea”, também os considera casados e, o que Deus ajuntou, não o separe o homem. Assim, a resposta de Jesus aos fariseus é: Não é lícito ao homem repudiar a sua mulher! Não é permitido! Não pode! Não deve! Seja qual for o motivo, não é lícito ao homem repudiar a sua mulher! Ponto Final!

A seguir vamos analisar a Segunda pergunta dos Fariseus e a sábia resposta de Jesus:

Quando separamos as duas perguntas que os fariseus fizeram a Jesus, eliminamos por parte os sofismas embutidos nas argumentações a favor do divórcio e recasamento. É preciso considerar que Jesus respondeu a primeira pergunta dos fariseus e concluiu dizendo: “Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem”. Em outras palavras Ele está impondo a Sua definição como sempre fizera: “EU, porém vos digo, o que Deus ajuntou, não o separe o homem”.

Essa expressão de Jesus foi dita uma única vez respondendo a uma única pergunta dos fariseus que queria saber se era lícito o homem repudiar a sua mulher. A conclusão de Jesus foi: NÃO! Não é lícito o homem repudiar a sua mulher.

Mas, os fariseus tinham uma “carta marcada” escondida na manga. Vamos então para a segunda pergunta dos fariseus:

1) Segunda pergunta: “Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?”.

Essa pergunta também vem carregada de armadilhas. Essa pergunta tem uma trama, uma distorção da verdade e uma indução ao erro. Obviamente eles evocam a lei e trazem à tona o assunto que sempre foi motivo de discussão entre as escolas de Hillel e Sammai. Não fujamos dos motivos dos fariseus. Eles queriam pegar Jesus numa falha. Era como se agora eles tivessem encurralado Jesus num canto e dissessem: “Como é que você diz que não é lícito ao homem repudiar a sua mulher, quando Moisés afirmou que sim?”. Dá pra perceber a intenção dos fariseus?

Se eles citam Moisés, é óbvio que Jesus teria que dar uma resposta a isso. Mas Jesus não caiu na armadilha e novamente impõe a Sua autoridade nessa questão. Ele responde a essa pergunta revelando a intenção do coração dos fariseus e corrigindo a pergunta.

2) Resposta de Jesus: “Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim”.

Há uma sabedoria em Jesus ao responder a essa pergunta maliciosa dos fariseus. Ele insiste em frisar o desejo de Deus ao criar o homem e a mulher. O desejo de Deus ao constituir a família não estava sujeito à força do pecado ou da dureza de coração do homem. Deus não mudaria Seu propósito e o adequaria ao estilo humano. Embora muito achem que Deus foi forçado pelas circunstâncias a mudar as regras do Seu Eterno propósito.

Jesus revela a intenção do coração dos fariseus quando disse: “Por causa da dureza dos vossos corações”. Ele ataca a motivação dos fariseus. Ele não atacou a Moisés, nem desfez da lei, nem foi a favor de Hillel ou de Sammai. Ele estava diante de acusadores e de homens cujo coração era duro com pedra. Insensíveis e incapazes de perdoar.

Jesus também corrige a pergunta dos fariseus, dizendo: “Moisés permitiu repudiar as vossas mulheres”. Não era um mandamento! Era uma permissão e isso por causa da dureza de coração dos homens. E reafirma a realidade do casamento afirmando: “Mas ao princípio não foi assim”.

A tendência do coração endurecido pelo pecado é valer-se das brechas da lei para estabelecer um motivo para seus próprios desejos e ambições. Para os fariseus a “suposta exceção” descrita em Deuteronômio 22 e 24, (analisaremos esses textos depois) deixou de ser uma exceção e passou a ser quase como uma regra geral para o casamento, exatamente como acontece em nossos dias. Hoje se divorcia por qualquer motivo!

Ao vir a este mundo, Jesus não veio colocar ordem na confusão que havia se instalado entre os homens. A humanidade como um todo havia se desviado completamente do propósito de Deus. Jesus não veio melhorar este mundo. Não veio reformá-lo ou dar um “jeitinho” nas coisas. Jesus veio trazer “de volta” o governo de Deus sobre a vida dos homens. Jesus veio trazendo o Reino de Deus. E, esse Reino não passou por uma adaptação para ser coerente com este mundo. O Reino de Deus continua sendo o que sempre foi, um Reino de justiça, amor e santidade. Portanto, quando Jesus vem a este mundo vem restaurar o Propósito Eterno do Pai. Isso implica em fazer valer todos os princípios do Reino de Deus para o homem, para a família e para a humanidade.

Quando Ele começou Seu ministério, começou dizendo: “Arrependei-vos, porque chegou o reino de Deus”. Esse arrependimento (metanóia – no grego) é mais do que um remorso ou tristeza por haver cometido uma coisa errada. Arrependimento é uma mudança de governo. É uma decisão voluntária em submeter, a vida e tudo o que esteja relacionada a ela, ao governo de Deus.

Mas, como fica a seqüência do texto de Mateus 19? Isso é o que veremos em seguida.

Próximo Capítulo: Jesus e a Exceção

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