VIDEIRA OU FRUTEIRA

Um dos textos que mais me encantam é o capítulo 15 do evangelho de João. Trata-se de um momento especial de Jesus e seus discípulos. Ele usa uma metáfora pra explicar o resultado da união que existe entre eles. Expressões do tipo, “assim” “assim como” “assim também” “assim sereis”, nos mostram uma lógica simples: causa e efeito.

Há muito tempo se defende a idéia de que essa metáfora da videira verdadeira se refere ao fruto dos ramos, não da videira. Há uma estrutrura montada nessa teoria, tentando provar que o fruto da videira seria um outro ramo… explico!

Dizem: “O fruto do Discípulo é outro discípulo. Não se trata aqui do fruto do Espírito” – relatado na carta aos Gálatas. Há alguns que afirmam assim: “Cavalo produz cavalinhos, cachorro produz cachorrinhos, discípulos produzem discipuluzinhos…” – A lógica é baseada numa premissa errada. Dependendo da premissa que se estabelece, ter-se-á o resultado que quiser.

Vejamos o contra-senso… O texto diz assim:

“Eu sou a Videira Verdadeira, meu Pai é o agricultor. Toda VARA em mim que não dá fruto, ele a corta; e toda VARA que dá fruto, ele limpa, para que dê mais fruto”. E assim o texto segue… Pergunta-se: O fruto é do ramo ou da videira? Se é da videira, que fruto é esse? Não seriam as uvas? Cachos de uvas? Devemos lembrar que Jesus está usando uma metáfora. É preciso de um contexto mais amplo pra entender uma metáfora. Texto fora de contexto é pretexto… O contexto deste texto é Galatas 5:22-23.

O fruto da videira são uvas que surgem nos ramos ligados à videira. As uvas têm as qualidades e atributos da videira. A seiva, que corre pelos galhos e ramos, produzem o fruto, nesse caso, uvas.

A vida da videira se reproduz nas uvas. Em gálatas 5:22 lemos que o “fruto do Espírito é: Amor, alegria, paz, longimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Como e através de quem esses frutos surgem e se tornam evidentes? Na vida dos discípulos. Logo, a vida de Cristo se manifesta na vida dos discípulos que estão vinculados a ele.

O contra-senso seria dizer: “Eu sou a videira verdadeira, meu Pai é o agricultor… toda VARA que está em mim produzirá outras VARAS”.

Hoje, em nossas congregações temos muita gente que se diz discípulas de Jesus e que nunca ganharam (produziram) outros ramos (frutos). Teoricamente esses devem ser cortados e lançados fora!

Todavia podemos dar um jeitinho nisso: Enxartamos uns “frutos” (ramos) nessas fruteiras (ou rameiras) ou sejam, damos pessoas para eles cuidarem como se fossem seus discípulos. Sem vínculo natural, sem paternidade, sem identidade.

Entretanto, a despeito do fato dessa teoria estar violentando o bom senso, muitos que nunca ganharam e nem cuidam de ninguém,  são tão ou mais frutíferos na videira do que alguns que estão  cheios de “frutos” adicionados.

Essa forma de interpretar João 15 tem criado ansiedade em muitos discípulos que, por muitas razões perfeitamente aceitáveis, não conseguem dar esses supostos “frutos”, ou seja, ganhar e cuidar de uma pessoa pra Jesus. Eles querem, se esforçam e nada acontece. Com isso, ficam frustrados, se desanimam e acabam por abandonar a congregação.

A valor de um fruto natural da vida de um discípulo, cujos frutos do Espírito são notórios, daqueles que vivem sob a frustração de nunca terem ganho “outro discípulo” como se isso fosse O FRUTO que se espera dele, é medido pela perseverança da fé e no relacionamento perfeito com o Senhor.

Há muitos “infrutíferos” cheios de frutos, verdadeiras fruteiras, que trabalham e se esforçam para justificar sua permanência na igreja. Há muitos outros, entretanto, vivendo uma vida íntima com o Senhor e expressando Amor, alegria, paz, longimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.

Pregar, evangelizar, ganhar outros para o Senhor, aconselhar, exortar, repreender, estimular, edificar, corrigir, servir, sofrer, compartilhar, dar a vida, etc… todos devem e podem fazer. Tudo isso depende de decisão, planejamento, estratégia, disciplina, sacrifício e perseverança. Mas isso não é fruto… é serviço.

Fruto é o resultado de se estar ligado na videira e é natural! É inadimissível estar na vidadeira e não dar frutos… (a expressão da Vida de Cristo).

O serviço a Deus e aos irmãos, depende da vida de Cristo que está em nós. Nosso serviço deve ser a expressão do Amor, alegria, paz, longimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio que são frutos naturais NA vida do discípulo.

Jesus concluiu dizendo: “Esta é a vontade de meu Pai, em que deis muito fruto e assim sereis meus discípulos”… ora, seremos discípulos de Jesus se fizermos muitos outros discípulos? Obviamente o fruto do discípulo não é outro discípulo.

 

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s




%d bloggers like this: